Os deuses da meteorologia proporcionaram um fim-de-semana a rondar a perfeição à caravana do Campeonato da Europa de Aquabike, que se mudou de armas e bagagens para a Marina de Entre-os-Rios, em Eja, Penafiel.
Milhares de espetadores presenciaram ao vivo um naipe alargado de corridas disputadas e entusiasmantes, vibrando de forma intensa com as três vitórias de pilotos portugueses nas suas categorias.
Organização exemplar, num local perfeito para a modalidade, provando a aposta contínua na ronda portuguesa do campeonato, que segue agora para a Croácia e para a Hungria, onde terá as duas provas que faltam no calendário.
Três anos, três vitórias nos Runabout GP1, categoria rainha do campeonato.
Christophe Agostinho transformou-se no verdadeiro rei do circuito desenhado nos rios Tâmega e Douro, junto à Marina de Entre-os-Rios.
E nem um problema de motor, que o forçou a trocar de moto, mesmo antes do arranque dos treinos, impediu o bicampeão da europa em título de começar a defender da melhor forma a sua coroa imperial.
2º na corrida inicial, atrás do sueco Samuel Johansson, saiu que nem uma bala na largada das duas corridas seguintes, que dominou a seu belo prazer, chegando à vitória e levando o público à euforia. Garra, querer, talento, eis os predicados que fazem do português um piloto de eleição. Comanda agora o campeonato, ostentando 72 pontos, mais 5 do que o seu adversário mais direto.
Já a façanha de Gonçalo Rodrigues destacou-se na saga da prova.
O jovem açoriano realizou o que na gíria se designa por “barba, cabelo e unhas”, ao levar a sua superioridade de fio a pavio, nas contas da categoria Ski GP3.
Melhor nos treinos, não deu veleidades à concorrência e venceu as 3 corridas do programa, estando agora no comando do europeu, com 75 pontos e 13 de vantagem sobre o húngaro Martin Sumegi. O “furacão” açoriano é manifestamente candidato ao título.
Para o último dia de competição, estava reservada mais um feito lusitano.
O jovem portuense Manuel Leite, que tinha sido 2º nas duas corridas de sábado da Ski Junior GP3.2, aproveitou bem um erro de Ander-Hubert Lauri para chegar ao comando e vencer de forma categórica a corrida final, acabando por ser o justo vencedor, na frente do estoniano.
Foi acompanhado no pódio por outro “lobinho” português, já que Martim Marques logrou conquistar o 3º lugar.
Nas restantes categorias, triunfos repartidos por várias nações.
Em Runabout GP2, o sueco Edvin Samuelsson venceu as 3 corridas e assume-se como o grande candidato ao título. Nelson Gomes foi o melhor português, terminando em 4º.
A exemplo de Samuelsson, também Robert Wallenbosn não deu hipóteses à concorrência nos Runabout Veterans GP1. O alemão venceu as 3 corridas disputadas.
Mais discutido foi o triunfo final em Runabout GP4.
3 corridas, 3 vencedores diferentes.
A vitória acabou por sorrir ao estoniano Mattias Siimann, mercê da sua regularidade: 3º na Corrida 1, venceu a segunda e foi 2º na derradeira.
A Ski GP1 é a categoria com os jetski mais competitivos. Aqui, o mais forte foi o austríaco Kevin Reiterer, triunfante em todas as refregas. Sai de Entre-os-Rios com uma larga vantagem no campeonato: 17 pontos para o 2º colocado.
Nas GP1 Ladies, exibição notável da sueca Emma-Nellie Ortendahl, domiadora por completo da jornada portuguesa.
Debelada por um mal estar físico, a internacional portuguesa Joana Graça conseguiu, mesmo assim, ser 10ª e recolher alguns pontos que podem vir a ser muito úteis no final do campeonato.
Na Ski GP2, destaque para o 3º lugar do português Rui Sousa, que ofereceu assim mais um pódio as cores nacionais. O vencedor foi o croata Slaven Ivancic, que venceu duas das três corridas do programa.
Mais um pódio português foi alcançado por Diogo Barbosa, a competir entre os Ski Junior GP3.3. O triunfo coube a Mattias Reinaas, que regressa à Estónia na liderança da sua categoria.
Finalmente, entre os Ski Veterans GP1, avassalador será o termo para designar o domínio pleno do letão Janis Uzars. Venceu tudo e com larga margem sobre os demais.
O campeão europeu em título de Freestyle, Roberto Mariani voltou a deslumbrar o público com as suas manobras arriscadas e bem executadas, vencendo sem oposição, esta categoria que se apresenta com um misto de competição e espetáculo.
O português Paulo Nunes competiu sob os efeitos de uma pequena lesão e apresentou-se limitado na sua “performance”. Mesmo assim, registou um bom 4º lugar.
Caiu o pano sobre o Europeu.
Agora, a “família” internacional do Aquabike muda-se para sul. É já no próximo fim-de-semana que se disputa, em Portimão, a jornada inaugural do campeonato do Mundo de Aquabike.